Klabin Semeando Educação oferece Língua Portuguesa na formação de professores

Lara Cavalheiro e Isabele Veronese, consultoras da Interação Urbana, falam sobre o conteúdo e as orientações aos professores 

Capacitação será aplicada inicialmente em Telêmaco Borba, Ortigueira e Imbaú

Em meio à persistente pandemia de Covid-19, que infelizmente segue afetando a área de educação, o programa Klabin Semeando Educação amplia sua atuação no território (veja matéria “Apoio do Klabin Semeando Educação salta de 3 para 14 municípios) e introduz uma nova formação continuada a professores dos Anos Iniciais do Ensino Fundamental das redes públicas municipais. Além das formações em Matemática e Gestão, o programa também passa a oferecer a capacitação em Língua Portuguesa (LP) –  aplicada em 2021 aos três municípios cujos professores já tiveram formação em Matemática: Telêmaco Borba, Ortigueira e Imbaú.

“A formação de professores e gestores é fundamental, pois todo o trabalho realizado nessa área impacta na sala de aula. Temos alguns dados que mostram o quanto a aprendizagem dos alunos é modificada em função do trabalho de formação. Essa é a premissa principal do trabalho”, explica a pedagoga Isabele Veronese1, consultora da Interação Urbana e coautora dos cadernos de LP adotados no programa. Isabele diz que a formação é um espaço de diálogo, de troca e de crescimento profissional e precisa ser valorizada. “Que a gente tenha cada vez mais espaço para a formação dos professores, porque é importante ajudá-los a construir a ponte entre a prática e a reflexão sobre a prática, o que contribui para que a prática seja aprimorada cada vez mais”, diz.

Conteúdo

O material de capacitação em Língua Portuguesa é composto por três volumes, que correspondem a três ciclos de atividades. O caderno I tem foco maior na alfabetização, na prática de leitura e na produção de textos no período que compreende a aprendizagem das crianças. O segundo volume refere-se a práticas de leitura para crianças que já estão alfabetizadas e o terceiro concentra-se na escrita, no chamado produtor de texto. “É importante perceber que existe uma continuidade e uma relação de progressão de um material para o outro. Sabemos que a leitura é um desafio no Brasil. Se pensarmos na história da educação e da alfabetização, e consultar os dados internacionais, veremos que há aí uma caminhada a passos muito lentos, com muitos desafios relacionados à leitura”, explica Isabele.

Os dois primeiros cadernos trazem reflexões importantes sobre a conceituação da leitura. “A leitura hoje não envolve apenas o texto escrito, mas também a imagem, o texto não verbal, o texto multimodal, um infográfico, um cartaz, um vídeo”, lembra Isabele. Segundo ela, é necessário considerar a diversidade de textos e de práticas de leitura, que precisam ser variadas (leitura do professor, leitura compartilhada, leitura pelo aluno) no processo da alfabetização e também depois, nos anos seguintes, no aprofundamento dessas habilidades e no trabalho com textos mais complexos.

“Existe uma crença equivocada de que a partir do momento que a criança se alfabetiza ela está apta a ler qualquer texto. Isso não é verdade. Um bom leitor de contos pode não ser um bom leitor de tirinhas, ou de charges ou de problemas de matemática, porque os textos têm características específicas e exigem habilidades específicas. Então, é preciso ensinar a ler, mas também ensinar a ler os gêneros com os quais a criança lida dentro e fora da escola”, adverte Isabele. “A leitura é um caminho para construir conhecimento nas outras áreas. Por isso, o segundo caderno tem um capítulo a respeito da leitura de problemas de matemática”, acrescenta.

 

“É preciso que a criança desenvolva habilidades de leitura e de escrita que possibilitem ler e escrever textos cada vez mais complexos em diferentes contextos de comunicação. Até para que elas possam se posicionar em relação ao que gostam e não gostam.” (Isabele Veronese)

 

A pedagoga Lara Cavalheiro2, consultora da Interação Urbana que atua no programa da Klabin desde o seu início, enfatiza que alfabetizar é tratar das competências escritora e leitora mas também das competências de ouvir e falar. Por isso, o processo de alfabetização deve ter leitura, oralidade e escrita o tempo todo. “Uma das formas de introduzir a leitura e sanar dúvidas é já trabalhar com o comportamento leitor desde as séries iniciais do Fundamental, tendo o professor como mediador desse processo”, avalia. Lara destaca a importância de o professor apresentar aos alunos diferentes gêneros, para que a criança que está se construindo como leitor possa identificar preferências. “Quais as chances de uma criança, por exemplo, se apaixonar por músicas de nossa MPB? Ou quais as chances de ela gostar de contos de assombração? Ela só vai descobrir se a escola oferecer os diferentes gêneros”, diz.

Trabalho de campo

A capacitação no módulo I já está ocorrendo em Ortigueira, Imbaú e Telêmaco Borba. No próximo semestre, os municípios terão a formação no módulo II e para 2022 está prevista a capacitação no módulo 3, visando a formação do produtor de texto. Assim se completam as grandes competências linguísticas. Para não sobrecarregar os professores, os outros municípios do programa não terão Língua Portuguesa este ano. Eles começam com a capacitação em Matemática, para só depois passar para LP.

A pandemia continua a ditar o modo de operação do programa. Sem atividades presenciais, a formação dos professores é feita de modo remoto, em um planejamento que prevê momentos síncronos e assíncronos. Assim, o módulo I foi dividido em quatro roteiros de estudo para os momentos assíncronos – necessários para o professor realizar as tarefas, fazer o estudo teórico, propor exemplos de atividades – e quatro encontros síncronos. As ferramentas digitais também são as mesmas: plataforma Google Meet, Classroom, Google Drive e grupos de WhatsApp.

Construindo leitores

O baixo índice de leitura é um problema real e não pode ser atribuído apenas aos alunos. A população brasileira, em geral, lê pouco. Os dados mostram a leitura de apenas um a dois livros por brasileiro por ano. Mas como mudar isso?

Essa realidade foi observada em um curto diálogo durante a própria formação em LP. Em um dos momentos síncronos, uma professora comentou:

— Estou com vergonha. Vou recomendar leitura a meus alunos e eu mesma só leio por obrigação.

A formadora então perguntou:

— Cadê aquela leitura por prazer?

— Eu não sei — respondeu a professora.

“Essa professora já deu uma pista de como começar essa discussão. Que momento da sua rotina você destina à leitura? Precisamos cuidar disso”, diz Lara.

Em outro encontro síncrono da formação, uma dinâmica de grupo coordenada pela pedagoga apontou um caminho para estimular os alunos (e os professores) a lerem. “Fizemos uma dinâmica com uma música tradicional em inglês. Perguntei se havia no grupo alguém fluente em inglês e não havia. Então, está bem. Vocês vão tentar ler esse texto. E essa foi uma virada do módulo, porque elas disseram: Como assim, vou ler? Eu não sei ler inglês!” Nesse momento, diz Lara, elas se colocaram no lugar do aluno, que também não sabe ler, que olha aquela mancha textual e tenta ler vendo as imagens, fazendo associações do texto com a música. “A experiência foi interessante porque as professoras perceberam que caminhos a criança usa para tentar ler aquilo que o professor apresenta. Diante disso fica mais fácil fazer o planejamento e criar estratégias”, explica Lara.

“Desde os primeiros momentos da alfabetização, a criança deve ter a oportunidade de folhear uma história, perceber as imagens, trabalhar com diferentes gêneros textuais. A gente cria no aluno a vontade e a necessidade de ele aprender a ler e escrever. Não existe uma receita, mas um bom caminho.” (Lara Cavalheiro)

Sobre o Klabin Semeando Educação

O projeto Klabin Semeando Educação atende à Política de Sustentabilidade da Klabin e se orienta pelos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), da ONU. O ODS 4, específico para educação, propõe “Assegurar a educação inclusiva e equitativa de qualidade, e promover oportunidades de aprendizagem ao longo da vida para todos”. O seu objetivo é preparar os alunos para lidar com os desafios do mercado globalizado e para isso propõe o desenvolvimento de competências para gestores educacionais e escolares e mobilização social em prol da educação, ações que devem resultar na melhoria da aprendizagem dos alunos. Assim como ocorreu em 2020, o Klabin Semeando Educação premiará as melhores práticas pedagógicas dos professores, coordenadores e diretores de escolas que, espera-se, resultem da formação proposta pelo projeto.

 

(1) Isabele Veronese é licenciada em Letras e Pedagogia, especialista em Alfabetização e mestre em Língua Portuguesa pela PUC-SP.

(2) Lara Cavalheiro é pedagoga pela Unicamp e possui especialização em Educação Infantil e Séries Iniciais pela Faculdade da Lapa e em Língua Portuguesa pela PUC-SP.

 

Acesse aqui:

Alfabetização e Letramento nos Anos Iniciais: Concepções e Práticas para a Formação de Leitores e Produtores de Textos – (Módulo I)

 

 

 

Aprender a ler nos Anos Iniciais: Textos, Contextos e Finalidades da Leitura (Módulo II)