Matemática inaugura formação continuada dos novos participantes

Lara Cavalheiro (esq.) e Márcia Santos, formadoras do programa

 

Ao lado de Gestão Escolar e Língua Portuguesa (esta oferecida a partir de 2021), a Matemática é parte fundamental na formação continuada que integra o Klabin Semeando Educação. O programa, aplicado a professores dos Anos Iniciais do Ensino Fundamental, foi estendido este ano para as redes públicas municipais de 13 municípios (eram apenas 3) e todos eles estão estreando no programa justamente pela Matemática, que compreende três módulos.

Os municípios pioneiros do programa – Telêmaco Borba, Ortigueira e Imbaú – já avançaram bastante na formação de seus professores nesta área do conhecimento. Porém, outros municípios paranaenses e também aqueles de Santa Catarina e de Pernambuco começam agora seu estudo. Por isso, os módulos de Matemática tiveram de ser ajustados ao referencial curricular de cada Estado. “Usamos a BNCC para nortear as discussões e os planejamentos, embora esse não tenha sido o único documento oficial a ser consultado. Usamos também os Referenciais Curriculares Estaduais, personalizando a formação de acordo com cada território”, explica a pedagoga Lara Cavalheiro1, consultora da Interação Urbana.

O que segue igual é a metodologia da formação, baseada no modelo remoto, com momentos síncronos e assíncronos e um grande trabalho de discussão para garantir o aprendizado do professor e seu contato com os alunos em um momento de distanciamento social. “O currículo escolar foi todo pensado para o formato presencial, em uma escola com cerca de 30 alunos por sala de aula e o professor presente o tempo todo. Agora estamos em uma pandemia. O que o professor precisa fazer para que o aluno tenha acesso ao conhecimento?”, pergunta Lara, exemplificando o desafio dos professores para criarem uma nova relação com seus alunos. “Temos grandes exemplos em que o professor aproveita situações cotidianas para trabalhar matemática com seus alunos, inclusive na pandemia. Esse tem sido o grande desafio: quais recursos podemos utilizar nesse momento de ensino remoto? A própria formação passou por essa adequação. Adaptamos jogos, brincadeiras e discussões em grupo para os momentos síncronos e assíncronos, utilizando a tecnologia como suporte. Muitas vezes pode ser mais simples do que o professor imagina. Usamos salas temáticas no Google Meet para assegurar a discussão em grupo entre os professores. Em outros momentos criamos o tabuleiro do jogo no Jamboard e usamos o dado on-line para que o professor tenha a experiência do jogo no momento síncrono.”

Formação em tempos de Covid

Para a professora Márcia Santos2, também consultora da Interação Urbana, as adaptações foram de grande valia tanto para as formadoras quanto para as professoras. “Acredito que foi um susto para todos nós passar a trabalhar remotamente. Foram muitas mudanças e adaptações em um curto período. Mas hoje vejo os ganhos que tivemos. Por exemplo, o uso de tecnologias digitais da informação e comunicação (TDIC), que estão entre as competências da BNCC. Fizemos adaptações em recursos que, a priori, só seriam usados presencialmente”, observa.

Apesar das restrições, o trabalho segue forte com os novos grupos. Na formação, não é preciso ensinar nada de novo sobre Matemática para as professoras, mas refletir sobre pontos cruciais no ensino da área. “Ajudo as professoras a pensarem sobre a prática pedagógica delas em sala de aula”, explica Márcia, que parte do conceito de “mentalidade matemática” presente no caderno de formação e que é proposto pela professora Jo Boaler, da Universidade de Stanford. “Tentamos pensar como o professor pode abordar a Matemática na sala de aula de modo que o aluno se sinta potente para aprendê-la. Em especial, quebrar o estigma do erro, porque errar em Matemática é sinônimo de que você está aprendendo. Sempre que estamos fazendo análise de algum erro que é cometido pelas crianças, começamos perguntando ‘O que essa criança já sabe?’. Aqui estamos com uma abordagem de mentalidades matemáticas, que é elucidado no módulo I do nosso caderno de formação, explica Márcia.

Para apoiar o trabalho dos formadores, o programa conta com cadernos de formação criados especialmente para o programa. “O conteúdo dos cadernos é muito rico, muito bem embasado em teoria, nada ali é eu acho, eu penso assim. Sempre tem um fundamento teórico”, avalia Márcia. Para os momentos assíncronos, os formadores contam com os roteiros de estudo, enviados para as professoras com indicações de leitura, atividades a serem executadas, questões para reflexão. No momento síncrono, quando todas estão juntas de forma virtual, é feita a discussão do conteúdo estudado e realizadas outras atividades.

Para Márcia, um diferencial do programa é justamente aliar teoria e prática na formação dos professores. “É muito comum nos depararmos com cursos que são só teóricos ou só práticos. Então, na teoria, você pensa: ‘como eu aplico isso na minha sala de aula?’ É muito abstrato. No curso prático, a pergunta é: ‘mas por que fazer isso na minha sala de aula? O que garante que isso pode dar certo?’ ”.

Uma mensagem para você, professor

“Ninguém educa ninguém. Ninguém educa a si mesmo. Os homens educam-se entre si mediatizados pelo mundo”. A frase é do educador Paulo Freire, patrono da educação brasileira, e ilustra um aparente paradoxo: por mais estranho que pareça, uma qualidade que todo professor deve ter é que ele seja sempre um estudante, para seguir aprendendo. “Cada sala de aula tem uma história diferente e a cada ano que passa os alunos têm uma bagagem de mundo, vivências diferentes”, lembra a professora Márcia. “Os alunos aprendem muito rápido, conhecem muita coisa, então o professor precisa estar sempre estudando para acompanhar esses alunos. A formação do professor é manter-se como estudante e o momento de formação é aquele em que estamos nos educando”, acrescenta ela.

“A realidade muda, o aluno e o professor também. Por isso que a formação continuada é tão relevante”, completa Lara Cavalheiro. Para ela, essa tem sido justamente a resposta dos professores participantes do programa. “Os professores, nesta pandemia, têm se esforçado bastante para dar conta de toda a demanda, para se dedicar ao planejamento, fazer suas tarefas e ainda ajudar seus alunos. Eles merecem todo nosso respeito e reconhecimento.” E esse esforço, segundo Lara, não é em vão: “Durante nosso estudo síncrono o grupo muitas vezes tem a oportunidade de partilhar conquistas e angústias. Os professores têm se reinventado cada vez mais nesse processo e é importante destacarmos todo esse esforço e todo estudo por trás do trabalho docente.”

SOBRE O KLABIN SEMEANDO EDUCAÇÃO

O projeto Klabin Semeando Educação atende à Política de Sustentabilidade da Klabin e se orienta pelos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), da ONU. O ODS 4, específico para educação, propõe “Assegurar a educação inclusiva e equitativa de qualidade, e promover oportunidades de aprendizagem ao longo da vida para todos”. O seu objetivo é preparar os alunos para lidar com os desafios do mercado globalizado e para isso propõe o desenvolvimento de competências para gestores educacionais e escolares e mobilização social em prol da educação, ações que devem resultar na melhoria da aprendizagem dos alunos. Assim como ocorreu em 2020, o Klabin Semeando Educação premiará as melhores práticas pedagógicas dos professores, coordenadores e diretores de escolas que, espera-se, resultem da formação proposta pelo projeto.

(1) Lara Cavalheiro é pedagoga pela Unicamp e possui especialização em Educação Infantil e Séries Iniciais pela Faculdade da Lapa e em Língua Portuguesa pela PUC-SP.

(2) Márcia Rodrigues Santos é licenciada em Matemática pela USP, onde também é mestranda em Ensino de Matemática. Atua como formadora de professores e professora do Ensino Fundamental Anos Finais em São Paulo.

Acesse aqui:

O desenvolvimento do senso numérico e o pensamento algébrico (Módulo I)

 

 

O ensino das quatro operações aritméticas a serviço de uma matemática com significado (Módulo II)

 

O ensino da geometria e das práticas de medição a serviço de uma matemática com significado (Módulo III)